Palestinos de Gaza celebram cessar-fogo; novos foguetes atingem Israel
'Apenas espero que eles se comprometam
com a paz', disse morador de território; acordo foi anunciado no Cairo
pela americana Hillary e por chanceler egípcio
iG São Paulo |
- Atualizada às
Moradores da Faixa de Faza saíram de suas casas para celebrar o acordo de cessar-fogo
alcançado entre Israel e o movimento islâmico Hamas após oito dias de
violência que deixou 161 palestinos, incluindo dezenas de civis, e cinco
israelenses mortos. EUA e Egito: Israel e Hamas chegam a acordo de cessar-fogo AP
Palestinos da Faixa de Gaza celebram o cessar-fogo alcançado por Israel e Hamas
Íntegra do texto: Leia o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas
Atiradores dispararam para o ar, e gritos de "Deus é
Grande" ecoaram dos alto-falantes das mesquitas. Residentes se abraçaram
e se beijaram em celebração, enquanto outros distribuíram doces e
seguraram bandeiras do Hamas. "Apenas espero que eles se comprometam com
a paz", disse Abdel-Nasser al-Tom, do norte do território palestino,
que é controlado pelo Hamas desde 2007.
Israel o grupo militante prometeram pôr fim aos ataques
aéreos e aos lançamentos de foguetes e discutir a suavização de um
bloqueio israelense sobre Gaza. Mas foguetes continuaram a atingir o sul
de Israel muito depois de o cessar-fogo entrar em vigor, disseram
autoridades, e escolas na região planejam permanecer fechadas na
quinta-feira como precaução à possíbilidade de projéteis continuarem
sendo lançados.
O acordo foi alcançado pelo novo governo islâmico do Egito
, solidificando seu papel como um líder num Oriente Médio em rápida
mutação dois dias depois de um intenso esforço diplomático em que a
secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, correu para a região
.
Diplomacia: Obama envia Hillary ao Oriente Médio para conter crise em Gaza
O líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que o acordo
incluía um item para abrir todos os postos de fronteira com a Faixa de
Gaza, incluindo o importante posto de Rafah com o Egito. Mas os
termos do acordo
distribuídos pelo governo egípcio parecem ser vagos em relação a isso.
"O documento possibilita a abertura dos cruzamentos", Meshaal insistiu.
Minutos antes de o acordo entrar em vigor às 21 horas
locais (17h em Brasília), houve uma rajada de foguetes palestinos e
ataques aéreos de Israel, incluindo um que matou um homem pouco antes de
o pacto começar. Depois das 21 horas, os bombardeios israelenses
cessaram, mas os lançamentos de foguete continuaram, com ao menos 12
atingindo Israel no período de uma hora desde o início da trégua, disse o
porta-voz da polícia Micky Rosenfeld.
Desde o início dos confrontos, em 14 de novembro, Israel
lançou mais de 1,5 mil ataques aéreos contra alvos de Gaza, enquanto
mais de 1,5 mil foguetes atingiram Israel. Na Tailândia: Obama defende direito de defesa de Israel, mas alerta contra invasão terrestre AP
Chanceler do Egito, Mohamed Kamel Amr, e secretária
de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciam acordo de cessar-fogo para
conflito em Gaza
Antes do cessar-fogo: Violência continua em Gaza e ônibus explode em Tel Aviv
O ministro de Relações Exteriores egípcio, Mohammed Kamel
Amr, anunciou acordo, afirmando que "esforços (diplomáticos) resultaram
em entendimentos para cessar o fogo, restaurar a calma e acabar com o
derramamento de sangue dos últimos tempos".
Em Jerusalém, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin
Netanyahu, confirmou o acordo, dizendo que concordou com ele depois de
consultas com Obama. "(Netanyahu) falou rapidamente com o presidente
Barack Obama e concordou com sua recomendação de dar uma chance à
proposta de cessar-fogo egípcia, e dessa forma fornece uma oportunidade
para estabilizar a situação e acalmá-la antes que mais ações fortes
sejam necessárias", disse em nota o governo israelense.
Netanyahu, porém, deixou aberta a possibilidade de uma
invasão terrestre em Gaza em data futura. "Sei que há cidadãos que
esperar uma operação militar mais ampla, e isso poderia ser necessário.
Mas, neste momento, a coisa certa a fazer para o Estado de Israel é
aproveitar essa oportunidade de alcançar um cessar-fogo duradouro."
A Casa Branca afirmou que Obama elogiou Netanyahu por
aceitar o acordo. "O presidente expressou sua estima pelos esforços do
primeiro-ministro em trabalhar com o novo governo egípcio para alcançar
um cessar-fogo sustentável e uma solução mais duradoura para esse
problema."
A presidência americana acrescentou que Obama reiterou
seu compromisso com a segurança de Israel e também disse que ele está
comprometido em buscar fundos para programas conjuntos de defesa de
mísseis.
O anúncio do pacto foi feito no mesmo dia em que uma bomba explodiu em um ônibus na cidade israelense de Tel Aviv
, deixando 21 feridos. Veja fotos dos oitos dias de conflito:
Fumaça é vista após ataque aéreo israelense em Gaza (21/11). Foto: AP
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Esforços diplomáticos
O envio de Hillary ao Oriente Médio marcou o envolvimento
mais forte dos EUA no conflito. Apesar de o governo americano ter
apoiado o direito de defesa de Israel, o governo Obama alertou seu aliado
contra engajar-se em uma invasão terrestre que aumentaria ainda mais a violência.
Nesta quarta, Hillary manteve encontros com Netanyahu,
com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas,
em Ramallah (Cisjordânia) e com autoridades no Cairo, onde os esforços
para um acordo eram realizados havia dias.
*BBC, AP e Reuters
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