Odair Cunha acusa 45 de se envolverem com quadrilha de Cachoeira, mas pode mudar relatório
Anderson Vieira
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O relatório, já apresentado aos parlamentares e a ser lido formalmente nesta quinta-feira (22), aponta indícios de que o governador Marconi Perillo, ao se envolver com Carlinhos Cachoeira - preso e acusado pela Polícia Federal de chefiar uma quadrilha que atuava com jogos ilícitos e desvio de dinheiro público -, cometeu os crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência, falso testemunho e lavagem de dinheiro.
Por ser governador, Perillo goza de prerrogativa de função, por isso o relator propôs o envio de cópia do relatório ao Ministério Público Federal e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Alegando “falta de elementos que vinculem o governador do Distrito Federal a Cachoeira”, Odair Cunha poupou Agnelo Queiroz (PT), o que provocou protestos de parlamentares da oposição, sobretudo do PSDB, para os quais a CPI atendeu a interesses político-partidários.
O relator, por sua vez, admitiu haver a possibilidade de ainda fazer mudanças no texto. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), por exemplo criticou a inclusão do jornalista Policarpo Júnior. Já os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT), além do deputado Onyx Lorenzoni (PDT-RS), são contra o pedido de investigação do procurador-geral.
Parlamentares
Entre os parlamentares, o texto não poupa Leréia e Demóstenes. Mas
quanto ao deputado Stepan Nercessian (sem partido-RJ), o relator afirma
não ter visto comprovação de envolvimento dele com o grupo de Cachoeira.
O mesmo foi dito a respeito do suplente de Demóstenes, senador Wilder
Moraes (DEM-GO). “Não há elementos ou indícios para se imputar ao
senador Wilder Pedro de Moraes a prática de crime ou ato de improbidade
administrativa no contexto da organização criminosa”, disse Odair Cunha.Sobre o deputado Sandes Júnior (PP-GO), o relatório pede para que o conteúdo produzido pela CPI seja encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual o parlamentar já responde a um processo.
Indiciamentos
Entre as 34 pessoas com pedido de indiciamento, além de Cavendish, e
da atual mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, está a ex-mulher de
Carlinhos Cachoeira, Andréa Aprígio. O próprio Carlos Augusto Ramos, o
Carlinhos Cachoeira aparece na lista daqueles a serem indiciados.
Complementarmente, a CPI pediu a prisão do bicheiro, solto na madrugada
desta quarta-feira, após 265 dias na cadeia. Para Odair Cunha, “solto e
com patrimônio invejável”, Cachoeira poderia rapidamente retomar suas
atividades criminosas.Também não escaparam da relação para indiciamento os que foram convocados e se recusaram a falar na CPI. Entre eles, o ex-diretor regional da Delta Construções e responsável pelas atividades da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. A Delta foi acusada de repassar quase R$ 100 milhões ao esquema de Cachoeira. Na lista de sugestões para indiciamento constam ainda o nome do ex-presidente do Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Edvaldo Cardoso de Paula, acusado de favorecer o grupo criminoso; o ex-sargento da Aeronáutica que atuaria como "araponga" do grupo, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá; além de Gleyb Ferreira da Cruz, suposto laranja, e José Olímpio de Queiroga Neto, apontado como gerente da organização.
Jornalistas
Para Odair Cunha, cinco jornalistas tiveram envolvimento com a
quadrilha chefiada por Cachoeira. Quatro deles são de veículos da
imprensa goiana. O quinto é Policarpo Júnior, da sucursal de Brasília da
revista Veja, por formação de quadrilha.- Ele (Policarpo) extrapolou o limite da relação entre fonte e jornalista – justificou Odair Cunha após reunião da CPI desta quarta-feira.
Procurador-geral
O relator propôs que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)
investigue o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que está
atuando no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Para o
deputado, Gurgel suspendeu "sem justificativa" as investigações da
Operação Vegas, da Polícia Federal, iniciada em 2009, que apontou os
primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, como
Demóstenes Torres.- Estamos analisando a conduta específica da operação Vegas. Houve omissão do procurador em relação a esta ação policial. Se ele mostrar à CPI que fez alguma coisa, podemos analisar. Estamos sugerindo que essa conduta especifica dele seja apurada pelo CNPM – justificou o relator.
Propostas legislativas
No fim do relatório, Odair Cunha apresentou uma série de propostas
legislativas, com a intenção de que futuramente se tornem lei. Os
projetos tratam, entre outros temas, da criminalização de jogos de azar;
da tipificação de organizações criminosas; do aumento de prazos
prescricionais; da utilização de pessoas interpostas (laranjas), de
alteração na lei de improbidade administrativa e da fiscalização de
empresas de factoring.
Votação
Na CPI, já há um pedido de vista coletiva do relatório, que contém
mais de 5 mil páginas, incluindo os anexos. Depois da leitura na manhã
desta quinta-feira, abre-se prazo de cinco dias úteis para a análise e
posterior votação do texto. A íntegra do relatório pode ser lida no site do Senado.
Agência Senado
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